Você já caiu no "Conto do Guru"?
- Michel Luiz
- 21 de jan.
- 6 min de leitura
Atualizado: 24 de jan.
Contra polêmicas e possíveis tretas, meus ovos na mão esquerda! Neste pequeno artigo vou buscar informar apenas sobre dois nomes que ficaram famosos tanto por sua pseudo "caminhada espiritual", por ter influenciado de alguma forma a história recente do tarô. Estou falando sobre Osho (Shree Bagwan Rajneesh) e um de seus discípulos pouco famoso na mídia comum sobre ocultismo; porém muito referenciado em grupos específicos sobre estudo do tarô e outros assuntos esotéricos: Veet Pramad. Não estou acusando estes grupos que usam das obras de Veet Pramad de nada, mas gostaria de refletir sobre as influências deste autor obscuro sobre um tal de "tarô terapêutico"... Vamos à leitura!

Tem sido cada vez mais revelado as inúmeras inconstâncias dos famosos gurus, ou autoproclamados mestres e líderes de seitas, sobre a construção de legados envolvendo escândalos, crimes e tantas outras brutalidades contra a vida. Devido a tais escândalos, vou lhe descrever sobre um pouco das histórias que envolvem o mestre de Veet Pramadi primeiro, antes de apontar a história mais comum deste autor em questão. Você tire sua conclusão e faça sua pesquisa, caso perceba que este artigo possa ter enviesado algo sobre tais personalidades.
A dica vital antes de tudo é: NÃO caia em diagnósticos que contenha conceitos clínicos de patologias e outros transtornos de fatores mentais, vindas de pessoas que não possuem teoria e prática embasada e formação em Saúde! Práticas terapêuticas não ortodoxas muitas vezes são necessárias para as pessoas, tais como acupuntura, meditação, conversas em rodas ou mesmo numa mesa de tarô. Mas diagnosticar pessoas com alguma espécie de transtorno é preciso ser feito dentro de uma clínica, ou no SUS! E olha que até para profissionais que são fiscalizados por algum órgão de Conselho, ainda assim pode conter riscos um diagnóstico desses, imagina de alguém que nunca debruçou de fato sobre as inúmeras ocorrências das psicopatologias, não é mesmo?
Claro que para pessoas que costumam utilizar destes métodos não ortodoxos, com o tempo fica intuitivo perceber padrões repetitivos de comportamentos depressivos e ansiosos. Nem todas essas pessoas que trabalham com algo esotérico, são charlatões; assim como se encontram diversos charlatões projetando suas sombras em pessoas diplomadas. Perceba que receber ou dar um diagnóstico clínico, poderá afetar a outra pessoa muitas vezes de forma mais prejudicial do que de uma real ajuda.
Tendo dito este alerta, vamos conhecer a história de um dos gurus mais famosos até hoje. O autointitulado Osho (algo como "dissolvido no oceano" em japonês, mas que para monges budistas japoneses se refere a um grande mestre que alcança o verdadeiro nome); esteve envolvido em inúmeras polêmicas durante sua vida. As mais conhecidas são:
1 - Em 1981 Rajneesh (Osho) imigrou para Oregon nos EUA, adquirindo um rancho de 64 mil acres para criar uma cidade autossustentável, segundo ele afirmava. O "líder espiritual" foi indiciado por fraudes imigratórias, promovendo casamentos falsos entre imigrantes e cidadãos estadunidenses, para garantir a residência e direito a posse de uma cidade. Foi preso por isso e tentou fugir em 1985. Tentativa frustrada, foi obrigado a pagar multas e após isso, foi deportado.
2 - A secretária pessoal de Rajneesh, a senhora Ma Anand Sheela (na imagem abaixo junto ao Osho); liderou um grupo responsável por atos criminosos de alta periculosidade. Entre os crimes estão "o ataque da salmonela", onde os membros desse grupo selecionado por ela, contaminaram as saladas de 10 restaurantes em Oregon, adoecendo mais de 750 pessoas! Com um único objetivo de atrapalhar as eleições locais. Este grupo também instalou o maior sistema de espionagem telefônica já descoberto na época, usado para planejar o assassinato de um promotor federal da justiça.
3 - Rajneesh foi um dos primeiros a quebrar o protocolo de que líderes espirituais não devem acumular riquezas pessoais. Chegou a ter posses de 93 carros do modelo Rolls-Royce, jatinhos, relógios caros. Dizia ele que espiritualidade e prazer material não são incompatíveis. Com isso ficou conhecido na Índia como "Sex Guru", pois além das riquezas, ele promovia uma tal de "liberdade sexual sem tabus", que nada mais era algo para tornar mulheres submissas, promover pedofilia, entre outras ações violentas contra as pessoas.
4 - Após isso, relatos posteriores apontam que havia na comunidade abusos físicos e sexuais contra crianças, dentro da comunidade que liderava. Em suas "práticas de meditação", ele colocava que deveriam haver gritos, violência física e automutilação, para promover sei lá que "liberdade" das emoções. Mesmo diante de tantos crimes, Rajneesh negou todos e foi deportado para a Índia, onde continuou suas maluquices até sua morte, em 1990.

Ma Anand Sheela sob o colo de Rajneesh, no escritório do rancho em Oregon.
Enfim chegamos no autor de uma das obras de tarô que tem circulado em diversos países latinos, desde 2002: Veet Pramad. Seu nome oficial e real de Veet Pramad é Enrique Amorós Azpeitia. Nascido na Espanha em 1954, em 1979 estudava Astrologia e e Fitoterapia na Guatemala. Posteriormente se mudou para a Colômbia e após turistar pela "Suíça italiana" na cidade de Lorcano, se mudou para o Peru. Mas de onde surgiu o "nome de iniciado" Veet Pramad? Este peregrino ensaísta do "tarô terapêutico" afirma por ele mesmo que o título foi lhe dado por Osho, em seu encontro com o pseudo guru em 1982.
Veet Pramad significa algo como "além da ilusão" - um título bem pomposo e como sempre, com significados que inebriam a mente e seduzem pessoas que se guiam por titularidade e autobiografia, sem críticas ou de fato, algo que possamos reconhecer a vida desse tipo de pessoa que se vê como iluminada, autointitulado de guia espiritual. De fato não podemos alegar que essa pessoa participou ativamente dos grupos ligados ao terrorismo de Osho, devido seu encontro com o tal guru ter sido nos anos iniciais da chegada dele nas Américas. Embora podemos confirmar que suas obras "terapêuticas" passaram por influências deste sujeito, como o próprio autor afirma nos módulos de ensino que intitulou de tarô terapêutico.
No livro de Veet Pramad (ou apenas senhor Enrique), com título de "Curso de Tarô e seu uso Terapêutico", observam-se uma falta de discernimento que tem contribuído para as mesclas espiritualistas modernas, tais como uso de florais de Bach para determinados estados mentais e emocionais. Certamente temos influências dos terpenos presentes em plantas cítricas, entre outras, que podem auxiliar como um recurso terapêutico. Mas essa prática ainda carece de mais evidências para confirmar a melhora de estados mentais.
Para além do aconselhamento do uso de florais em suas práticas terapêuticas, o sr. Enrique mescla essa prática com determinadas tiragens de tarô - o que seria insano se pensarmos nas inúmeras possibilidades de combinações aleatórias que as cartas podem alcançar. Mas o mais impressionante, que chega a parecer que este sujeito está ou imerso em alguma alucinação criteriosa de suas práticas espirituais, ou está rindo das pessoas que seguem seus métodos; está na afirmação sobre a "limpeza das cartas após as tiragens". De certa forma, uma das egrégoras instituídas aos praticantes do tarô é a do banimento das energias adquiridas numa tiragem ou outra, ou antes de abrir a mesa para consulentes. Essas práticas as vezes envolve apenas um copo com água que será jogada fora após a tiragem, ou pessoas que se utilizam de velas e incensos, ou mesmo o arranjo da toalha que dispões as cartas em suas mesas. Mas essas práticas não são consideradas fechadas e instituídas por nenhuma ordem esotérica, ou mesmo se quer são tão presentes fora do Brasil.
Todavia, no livro do sr. Enrique ele fornece uma gama de particularidades para se fazer, antes e depois da tiragem das cartas! Vai de meditação para coisas como rolar no chão, dizendo que isso magnetiza as cartas, além de outras coisas estranhas. Na mesma obra ele diz que irá referir sempre ao pronome feminino do público leitor, por ser o maior público que consome esse tipo de material. Tudo bem, mas isso me cheira as manipulações emocionais mencionadas sobre os grupos de Osho, anteriormente... E suas obras se destinam a falar apenas de dois tarôs, justamente encomendados por figuras abusivas e muita das vezes criminosas em seus atos: o tarô de Osho e o tarô de Crowley - conhecido como tarô de THOTH. As cartas deste último tarô foram lindamente executadas pela artista Lady Frieda Herris (Marguerit Frieda Bloxam), mas não há uma originalidade sobre os aspectos que concernem sua simbologia, como Aleister Crowley autodenominava. Esse "mago embusteiro" tomou as dimensões simbólicas dos antigos livros reservados da Golden Down e alterou alguns locais dos Caminhos Cabalísticos já formalizados pela ordem. Isso sem nenhuma evidência de que tenha aprofundado nos estudos cabalísticos para chegar a essa drástica mudança.
Mas enfim, sobre essas desventuras das ordens esotéricas que auxiliaram ao menos em belas criações artísticas dos tarôs atuais, ficará para um futuro artigo de blog. E lembre-se, tudo isso não passa da minha humilde opinião e ceticismo necessário dentro das espiritualidades modernas!

Foto remasterizada de Lady Frieda Herris
Texto e pesquisa por Michel L. C. Araújo, psicólogo especialista e artista ocultista.




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